A água, o fogo, a terra e o ar pensaram em deixar uma recordação que perpetuasse através das idades a felicidade de seu encontro. Resolveram criar alguma coisa especial que, composta de fragmentos de cada um deles harmonicamente combinados, fosse também a expressão de suas diferenças e independência, e servisse de símbolo e exemplo para o homem. Eu porei as melhores forças de minhas entranhas - disse a terra - e alimentarei suas raízes. Eu porei as melhores linfas de meus seios - disse a água - e farei crescer sua haste. Eu porei minhas melhores brisas - disse o ar - e tonificarei a planta. Eu porei todo o meu calor - disse o fogo - para dar às suas corolas as mais formosas cores. Fibra sobre fibra foram construídas as raízes, a haste, as folhas e as flores. O sol abençoou-a e a planta deu entrada na flora regional, saudada como rainha. Quando os quatro elementos se separaram, a Flor de Lótus brilhava no lago em sua beleza imaculada, e servia para o homem como símbolo da pureza e perfeição humana. Tal como a flor do lótus cresce da escuridão do lodo para a superfície da água, abrindo suas flores somente após ter-se erguido além da superfície, ficando imaculada de ambos, terra e água, que a nutriram - do mesmo modo a mente, nascida no corpo humano, expande suas verdadeiras qualidades (pétalas) após ter-se erguido dos fluidos turvos da paixão e da ignorância, e transforma o poder tenebroso da profundidade no puro néctar radiante da consciência Iluminada. Se o impulso para a luz não estivesse adormecido na semente profundamente escondida na escuridão da terra, o lótus não poderia se voltar em direção à luz. Se o impulso para uma maior consciência e conhecimento não estivesse adormecido mesmo no estado da mais profunda ignorância um Iluminado nunca poderia se erguer da escuridão.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Oração a Obaluaye


Salve o Senhor Rei da Terra!
Médico da Umbanda
Senhor da cura de todos os males do corpo e da alma.
Pai da riqueza e da bem-aventurança.
Em ti deposito minhas dores e amarguras,
Rogando-te as bênçãos de saúde, paz e prosperidade.
Faz-me digno de merecer
Todo dia e toda noite
Vossas bênçãos de luz e misericórdia.
Oh Mestre da
Vida,
Vós sois o limitador das enfermidades.
Suplicamos sua misericórdia
Aos males que nos afetam!
Que suas chagas abriguem
Nossas dores e sofrimentos.
Conceda-nos corpos sadios e almas serenas.
Mestre da cura
Amenize os sofrimentos
Que escolhemos resgatar nessa encarnação!
Que suas palhas benditas me fortaleçam e me ajudem a mudar meus pensamentos e atitudes.
Que eu possa pipocar de felicidade tendo consciência de que estou fazendo o melhor.
Atotô Meu Pai!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Oração a Ogum.


Chamá-lo de Pai é honra, esperança, vida.
Ogum, meu Pai, Vencedor de demanda, Poderoso Guardião das Leis,
Vós sois meu aliado no combate às minhas inferioridades.
Senhor, Vós sois o domador dos sentimentos espúrios, depurai com Vossa espada e lança minha consciente e inconsciente baixeza de caráter.
Ogum, irmão, amigo e companheiro, continuai em Vossa ronda e na perseguição aos defeitos que nos encontram a cada instante.
Ogum, glorioso Orixá, reine com Vossa falange de milhões de guerreiros vermelhos e mostrai por piedade o bom caminho para o nosso coração, consciência e espírito.
Despedaçai Ogum, os monstros que habitam nosso ser, expulsai-os da cidadela interior.
Ogum, Senhor da noite e do dia, Pai de todas as horas, boas e más, livrai-nos da tentação e apontai o caminho do nosso Eu.
Vencedor contigo, descansaremos na paz e na Glória de OLORUN.
Ogunhê, Meu Pai!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Oração dos Orixás


“Amado Pai Olorum, Amados Orixás, peço-Lhes humildemente para que acolham e recebam minha oração”. 
Evoco Deus, Todos os Seus Tronos da Criação, Todos os Orixás Originais e peço-Lhes licença para me comunicar com vós.
Peço primeiro a Consciência, para que possamos retratar todos os danos que fizemos em toda a Criação de Nosso Pai.
Peço que nos dê força de pensamento para alcançar esse objetivo;
Peço ao Orixá do Amor para que possamos nos unir, independente de raça, cor, religião ou valor,
Peço a Deus que nos dê todo o conhecimento que precisamos para que possamos aprender com nossos erros e não os cometer mais,
Para que se faça gerar no íntimo de cada um de nós a Fraternidade para ajudarmos a todos os irmãos e que possamos ser mensageiros da Sua Luz e manifestadores Dela,
Peço ao Orixá do Equilíbrio que nos mostre e conscientize a diferença entre o certo e o errado para que possamos viver em paz com tudo o que Nosso Amado Pai criou,
Que nos faça evoluir a ponto de podermos encerrar todos os padrões negativos que começamos e vibramos até hoje para que possamos desfrutar e evoluir com tudo o que Nosso Pai exteriorizou.
E, como regentes da Criação, eu Vos clamo humildemente que irradie todos os Orixás pessoais de cada um dos seus filhos, irradie suas coroas, com todas as suas funções divinas para que cada um de nós possa ser auxiliado conforme nossas necessidades e merecimentos. 
Amém! 

Por: Franz Meier

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Oração a Oxossi.


Oh grande espírito cuja voz eu ouço no vento,
Cujo alento dá vida a todo o mundo.
Escuta-me; Eu necessito tua força e sabedoria.
Deixa-me andar na Paz e faça com que meu olhar
Sempre observe o por do sol vermelho púrpuro.
Faça com que minhas mãos sempre respeitem tuas coisas
E que meus ouvidos sejam afinados para ouvir tua voz.
Torna-me sábio para que eu possa entender
As coisas que ensinaste ao meu povo.
Ajuda-me a permanecer calmo e forte
Diante de tudo que venha em minha direção.
Deixa-me aprender as lições que escondeste
Em cada folha e em cada rocha.
Ajuda-me para que eu busque pensamentos puros
E aja com a intenção de auxiliar os outros.
Deixa-me encontrar compaixão sem que a pena me oprima.
Eu procuro força, não para ser maior que meu irmão
Mas para lutar contra meu pior inimigo – Eu mesmo.
Faz com que eu esteja sempre pronto para vir diante de Ti
Com mãos limpas e olhos diretos.
Para que quando a vida desvanecer-se,
Como um esmaecido por de sol,
Meu espírito possa chegar a ti sem nenhuma desonra.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Oração da humildade.


Meu Deus, vós sabe que ainda sou um ser em evolução e que muitas vezes fujo dos objetivos que o Senhor traçou para que eu alcance a minha felicidade.
Sei também que nem sempre consigo fazer o bem que desejo, e muitas são as vezes que faço o mal que não gostaria de fazer.
Por isso venho a ti Senhor para rogar força, coragem e lucidez para acertar mais vezes do que me equivocar e quando me equivocar, que seja por fraqueza ou ignorância, mas nunca por deliberação.
Venho a ti para pedir que não permitas que em tempo algum eu perca a vontade de viver, apesar dos momentos de dor e de sofrimento que por certo terei de passar. Peço ajuda para cultivar o otimismo mesmo que o futuro não seja tão promissor. Peço ajuda para que me ensines a desenvolver o romantismo ainda que em meu peito o coração pareça ter emudecido.
Senhor ajuda-me a não perder a fé na amizade, nem que às vezes os amigos me abandonem nos momentos em que eu mais precisava deles. Ajuda-me a cultivar o hábito e a alegria de ajudar as pessoas ainda que muitas delas sejam ingratas e incapazes de retribuírem. Ensina-me a manter o equilíbrio até nos momentos de grandes abalos em que tudo conspire para que eu perca o rumo. 
Senhor ajuda-me a amar sem esperar retribuição nem reconhecimentos dos seres amados; ajuda-me a observar a vida com brilho no olhar, até nos momentos que a escuridão turvar meus olhos; ajuda-me a enfrentar os desafios da vida com garra e disposição, mesmo sabendo que as derrotas são inevitáveis no meu caminho.
Permita-me usar sempre a razão e o bom senso ainda que o apelo dos vícios sejam fortes, insistentes e constantes na minha intimidade. Sobretudo, Senhor, ajuda-me a elevar o sentimento de justiça acima de meus próprios interesses.
Permita-me conservar o amor pela família, mesmo que ela me exija imensos esforços e árduas renuncias em prol de sua alegria. Ensina-me a ver sempre o lado bom e belo das coisas apesar das lágrimas que brotarem amargas da minha alma.
Senhor que eu jamais perca a vontade de herdar as estrelas, mesmo habitando um planeta pequeno, e acima de tudo que eu jamais me esqueça que o Senhor é a Inteligência suprema do Universo, que me ama infinitamente, que prove minhas necessidades, ampara-me sempre e que só quer meu aperfeiçoamento.
Que eu possa entender as pessoas que são mais frágeis que eu. Que eu possa aprender a não julgar meus semelhantes, que eu consiga educar meus sentimentos e desenvolver minha inteligência.
Senhor, não deixe que eu me envolva pela tristeza, pois eu sei que ela me impedirá de ver a esperança que insiste em acenar com a certeza que um novo e lindo dia surgirá.
Nos dias que a tristeza se apresentar dissimulada e insistente em minha janela, que eu possa recolher-me por alguns instantes, buscando me sintonizar com as forças do bem que pairam acima das nuvens densas que envolvem a terra, assim conseguirei alimentar a minha intimidade com a harmonia celeste.
Por fim, que eu nunca esqueça que eu sou um espírito imortal e que minha felicidade é uma conquista minha.
Assim seja!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

As sete lágrimas de um Preto Velho.


"Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste Preto Velho chorava. De seus olhos molhados, lágrimas lhe desciam pela face e não sei por que as contei. Foram sete. Na incontida vontade de saber, aproximei-me e o interroguei.
- Fala meu Preto Velho, diz a este teu filho, por que externa assim, esta tão visível dor?
- Está vendo, filho, estas pessoas que entram e saem do terreiro? As lágrimas que você contou, estão distribuídas a cada uma delas.
- A primeira lágrima foi dada aos indiferentes, que aqui vem em busca de distração. Que saem ironizando e criticando, por aquilo que suas mentes ofuscadas não puderam compreender.
- A segunda, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando. Sempre na expectativa de um milagre, que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos lhes negam.
- A terceira, aos maus. A aqueles que procuram a Umbanda em busca de vinganças, desejando prejudicar a um seu semelhante.
- A quarta, aos frios, aos calculistas. Aos que, ao saberem da existência de uma força espiritual, procuram beneficiar-se dela, a qualquer preço, mas não conhecem a palavra gratidão e nem a Caridade.
- A quinta lágrima, vê como chega suave? Ela tem o riso, do elogio e da flor dos lábios. Mas se olhares bem, no seu semblante, verá escrito: 'Creio na Umbanda. Creio nos teus Caboclos, nos teus Velhos, e no teu Zambi, mas somente se vencerem no meu caso ou me curarem disso ou daquilo'.
- A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Terreiro em Terreiro, sem acreditar em nada, buscando aconchegos e conchavos. Mas em seus olhos revelam um interesse diferente.
- A sétima, filho, notas como foi grande? Notou como deslizou pesada? Foi a última lágrima. Aquela que vive nos Olhos de todos os Orixás e de todas as entidades. Fiz doação desta aos Médiuns. Aos que só aparecem no Terreiro em dia de festa. Aos que se esquece de suas obrigações. Aos que esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade, tantas 'crianças' precisando de amparo. Da mesma caridade e do mesmo apoio que eles próprios, um dia aqui vieram buscar.
Assim, filho meu, foi para esses todos que vistes cair, uma a uma, 

AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Adaptação livre do Sermão da Sexagésima.


O que vou falar com vocês é profundo e requer humildade e sabedoria para o entendimento, mas é preciso saber que se apenas uma pessoa compreender, o mundo já será melhor.
Todos estão aqui para aprender, seja o médium, o assistido ou mesmo as entidades. Cada um de nós aqui está em um nível de evolução diferente, mas estamos todos aprendendo.
Ao médium e ao mentor cabe a explicação, mas ao ouvinte cabe o entendimento e só a Deus cabe a Graça.
A explicação é o trigo que para germinar precisa de terra boa. O trigo é o alimento. Mas é preciso aprender com a natureza que tem tempo para as flores, e tempo para os frutos. A vida é feita de verão e primavera, mas também acolhe outono e inverno.
Muitas vezes não entendemos porque estamos passando por determinada experiência, mas os outonos e invernos são necessários porque as flores brotam, mas muitas vão murchar, outras vão cair, outras irão secar, o vento vai levar, e algumas irão frutificar.
O fruto é como o trigo germinado: é a palavra, o alimento. Alguns trigos cairão em pedras, outros cairão em espinhos, outros serão pisados pelo caminho, apenas alguns cairão na terra fértil.
As pedras, o caminho, os espinhos, a terra são os diversos corações dos homens.
Os espinhos são os corações embaraçados com riquezas e delicias. A palavra ai se afoga.
As pedras são os corações duros e obstinados. Nestes corações seca-se a palavra.
Os caminhos são os corações inquietos e perturbados com a passagem e o tropel das coisas do mundo. Nestes corações a palavra será pisada e desprezada.
A terra boa são os corações bons ou os homens de bom coração. Nestes a palavra prende e frutifica com fecundidade e abundancia.
Se o trigo não frutifica a culpa é nossa que não mudamos nossos pensamentos.
Deus está pronto da sua parte, com o sol para alumiar e esquentar, a chuva para regar e amolecer. Mas isso só é possível se os nossos corações permitirem.
Deus dá o sol e a chuva para todos. Cabe a cada um a escolha do que fará com essas bênçãos.
E lembrem-se:
Os ouvintes de entendimentos agudos querem apenas galanteios e elogios. Querem ver os seus problemas solucionados rapidamente.
Os ouvintes com vontades endurecidas não mudam, mas pensam que tudo deve melhorar apesar de sua relutância em aceitar a verdade.
Eu posso falar e falar, mas se não conseguir semear o coração de vocês nenhuma mudança ocorrerá.
As entidades, não devem prometer melhoras para a vida de ninguém se não conseguirem tocar os corações.
As mudanças devem vir dos corações. Assim o coração espinhoso ou duro se amolece e passa a compreender a palavra. Porque ele vê a mudança. E não apenas ouve.
O bom semeador joga sua palavra não para resolver, mas para acertar o coração. Ele ensina a semear e não entrega o fruto pronto. O bom semeador consola e ajuda a erguer a pessoa, mas depois que ela já está de pé, está na hora de ensinar a andar, ensinar a pensar, ensinar a mudar.
Saibam que o bom guia ensina como proceder, mas não promete milagres e nem deixa seu ouvinte amarrado a si. Os médiuns e as entidades são partes de Deus, mas não são Deus. Então, sozinhas não fazem nada.
Lembrem-se todos que somos uma corrente e apenas Deus merece as glorias do que se conquista aqui. Apenas ele. Quando você alcançar alguma bênção, primeiro agradeça aos seus ouvidos que ouviram com o coração. Depois agradeça a Deus. Permita-se conhecer a todos da corrente. Não se fixe em um só, cada um tem um conhecimento que merece ser ouvido. Ouça o que cada um tem a dizer.
Sabemos que é preciso entrar em batalha com os vícios, mas armas alheias, ainda que sejam as das entidades, a ninguém dão vitória. A entidade clareia suas idéias, mas o que é dito não pode ficar apenas nos ouvidos. É preciso que atinja a cabeça e o coração. O que sai da boca pode parar nos ouvidos, o que nasce do juízo penetra e convence o entendimento.
Quando o ouvinte a cada palavra ouvida treme; quando cada palavra é um torcedor para o coração; quando o ouvinte vai embora confuso e atônito, então é a preparação qual convém, para que se faça fruto.
Não queremos que vocês saiam contentes de nós, não que lhes pareçam bem os nossos conceitos, mas que lhes pareçam mal os seus costumes, as suas formas de pensar, os seus passatempos, as suas ambições e, enfim assim haverá mudança, vinda de dentro de vocês.
Vejam um exemplo: olhos, espelho e luz.
Se você tem espelho e é cego, não pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Pode acontecer de ter olhos e luz e não ter espelho.
Logo, para um ser olhar em si e ver-se a si mesmo é preciso luz, espelho e olhos.
O centro com os médiuns e os guias, mentores ou entidades concorrem com o espelho que é a palavra; Deus concorre com a luz que é a graça da mudança; o ser concorre com os olhos que é o conhecimento de si e do mundo.
Médiuns sejam espelhos da palavra de Deus, mas cuidado com a soberba, o ódio, as ambições, a inveja, a cobiça. Lembrem-se, na verdade vocês são apenas condutores. Quem tem que mudar quem tem que querer quem tem que ter fé é a pessoa que veio nos procurar.
Seres que aqui vem em busca de luz sejam olhos do conhecimento de Deus, mas cuidado com a soberba, o ódio, as ambições, a inveja, a cobiça.
E a vaidade? Cuidado com a Vaidade que está sempre viva em um elogio, em um olhar de admiração. A vaidade é ilusória e acaba com qualquer tentativa de iluminação.
Sejamos sábios buscando a Deus acima de todas as coisas.


De: Padre António Vieira pregado na Capela Real, no ano de 1655.