A água, o fogo, a terra e o ar pensaram em deixar uma recordação que perpetuasse através das idades a felicidade de seu encontro. Resolveram criar alguma coisa especial que, composta de fragmentos de cada um deles harmonicamente combinados, fosse também a expressão de suas diferenças e independência, e servisse de símbolo e exemplo para o homem. Eu porei as melhores forças de minhas entranhas - disse a terra - e alimentarei suas raízes. Eu porei as melhores linfas de meus seios - disse a água - e farei crescer sua haste. Eu porei minhas melhores brisas - disse o ar - e tonificarei a planta. Eu porei todo o meu calor - disse o fogo - para dar às suas corolas as mais formosas cores. Fibra sobre fibra foram construídas as raízes, a haste, as folhas e as flores. O sol abençoou-a e a planta deu entrada na flora regional, saudada como rainha. Quando os quatro elementos se separaram, a Flor de Lótus brilhava no lago em sua beleza imaculada, e servia para o homem como símbolo da pureza e perfeição humana. Tal como a flor do lótus cresce da escuridão do lodo para a superfície da água, abrindo suas flores somente após ter-se erguido além da superfície, ficando imaculada de ambos, terra e água, que a nutriram - do mesmo modo a mente, nascida no corpo humano, expande suas verdadeiras qualidades (pétalas) após ter-se erguido dos fluidos turvos da paixão e da ignorância, e transforma o poder tenebroso da profundidade no puro néctar radiante da consciência Iluminada. Se o impulso para a luz não estivesse adormecido na semente profundamente escondida na escuridão da terra, o lótus não poderia se voltar em direção à luz. Se o impulso para uma maior consciência e conhecimento não estivesse adormecido mesmo no estado da mais profunda ignorância um Iluminado nunca poderia se erguer da escuridão.
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terça-feira, 22 de julho de 2014

O Poder de Agradecer



Sei que quando agradeço, eu abro caminho para que essa graça se manifeste na minha vida.
Eu agradeço pelo ar que eu respiro e por tudo na natureza que se oferece continuamente para que eu viva.
Eu sou todo agradecimento, pois, sei que sou eterno aprendiz de uma vida infinita e cheia de revelações.
Sei que ao agradecer estou pondo em ação a lei da abundância, e tudo fluirá corretamente na minha vida.
Eu aprecio e agradeço a presença de cada ser, animado e inanimado, cada pequena ou cada grande coisa que participa de minha vida agora, na exata medida de minha gratidão.
Graças, graças, graças derramem-se sobre mim e todos os aqui presentes neste dia bendito e encham o nosso peito da paz e da alegria, que tão bem conhece um coração agradecido.



Adaptação do livro 64 Poderes; Sonia Café, Ed Pensamento.



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Seis anos completados no dia 02 de agosto.



Muitas alegrias, tristezas, esperanças, diferenças, alguns antigos, outros recentes... Cada dia chega mais um.
Formamos um grupo. Sim, vocês ai fora e nós aqui dentro formamos um grupo. Um grupo que se uniu na busca da felicidade e acima de tudo na busca pelo amor fraternal. Aquele amor desinteressado que não exige, apenas aceita. Somos aprendizes, eu sei, mas pelo menos estamos no caminho.
Estamos abertos para o aprendizado, mesmo que isso ocorra de forma difícil e a duras penas, mas estamos no caminho. Sabemos que se nada der certo aqui temos as entidades para nos ouvir e dizer: estou com você.
E lembre sempre:
Precisamos semear amor para ver o mundo florir.

Que a nossa felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda a simplicidade, de dentro pra fora, de cada um para todos... Que as pessoas saibam falar, calar e acima de tudo ouvir. Que tenham amor ou então sintam falta de não tê-lo. Que tenham ideais e medo de perdê-los. Que amem o próximo e respeitem sua dor, para que tenhamos certeza de que, ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade...
(Carlos Drumond de Andrade)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Poder de Aventura



Vivemos uma época de mudanças profundas, radicais e dinâmicas. É hora de ampliarmos nossa consciência e perceber uma nova realidade.
E só perceberemos essas mudanças se nos aventurarmos para criar um mundo onde prevaleça o Amor, a Sabedoria, a Abundância e a Paz.
Grande Energia pulsante no Universo permita que Eu me deleite com as coisas mais simples e verdadeiras da Terra.
Permita que eu compreenda e viva o verdadeiro sentido de Compaixão, Amor e Perdão.
A vida flui abundantemente e muda muito mais dinâmica e rapidamente do que costumamos perceber. Que eu saiba fluir cada vez mais em ritmo com essa dinâmica da Vida Abundante.
Que o conhecimento que existe dentro de mim se transforme em Amor e Sabedoria, pois chegou a hora de mudar.
Há um proverbio tibetano que diz: Você não pode descobrir novos oceanos, a menos que tenha a coragem de perder de vista a sua praia.
Que Eu me aventure pelos Oceanos do  Conhecimento cruzando as fronteiras do desconhecido, sem medo e sem culpa.
Que Eu exerça o poder da aventura para transformar as imposições e limitações que meus pensamentos, sentimentos e crenças trazem para o meu dia a dia.
Que Eu encontre em mim mesma o poder de germinar para a vida como a planta que se aventura para fora da semente.
Que Eu fortaleça em mim o poder de saber me aventurar pela vida não me deixando abater pelo primeiro obstáculo que surgir no caminho.
Grande Energia ilumina minha vida para que eu me lembre de me aventurar pelos territorios que minha Alma quiser visitar e que estão cheios de revelações divinas.
Eu estou fazendo o exercício de ficar consciente do poder espiritual e autêntico que existe em mim, exercendo esse poder com amor e responsabilidade para ajudar a criar uma realidade onde todos tenham o mesmo dirteito de expressá-lo, para criar o Céu na Terra.
Que o bem estar do Todo, do grupo seja uma busca de cada um.
Como a água que brota na mina, que brote em mim um querer olhar para dentro de mim mesma para encontrar a alma radiante disposta a me orientar na direção mais benfazeja.
Que Eu olhe para a vida com o olhar da Alma pois o Céu está dentro de mim, e acreditar que a partir desse céu interior posso mudar a mim mesma e aos que me rodeiam, assumindo a responsabilidade pelas minhas ações, não fazendo ao outro aquilo que não gostaria que me fizessem. Sendo coerente em minhas atitudes, me amando verdadeiramente mesmo sabendo de minhas imperfeições e ciente disso amar aos outros do mesmo modo que a mim mesmo.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Adaptação livre do Sermão da Sexagésima.


O que vou falar com vocês é profundo e requer humildade e sabedoria para o entendimento, mas é preciso saber que se apenas uma pessoa compreender, o mundo já será melhor.
Todos estão aqui para aprender, seja o médium, o assistido ou mesmo as entidades. Cada um de nós aqui está em um nível de evolução diferente, mas estamos todos aprendendo.
Ao médium e ao mentor cabe a explicação, mas ao ouvinte cabe o entendimento e só a Deus cabe a Graça.
A explicação é o trigo que para germinar precisa de terra boa. O trigo é o alimento. Mas é preciso aprender com a natureza que tem tempo para as flores, e tempo para os frutos. A vida é feita de verão e primavera, mas também acolhe outono e inverno.
Muitas vezes não entendemos porque estamos passando por determinada experiência, mas os outonos e invernos são necessários porque as flores brotam, mas muitas vão murchar, outras vão cair, outras irão secar, o vento vai levar, e algumas irão frutificar.
O fruto é como o trigo germinado: é a palavra, o alimento. Alguns trigos cairão em pedras, outros cairão em espinhos, outros serão pisados pelo caminho, apenas alguns cairão na terra fértil.
As pedras, o caminho, os espinhos, a terra são os diversos corações dos homens.
Os espinhos são os corações embaraçados com riquezas e delicias. A palavra ai se afoga.
As pedras são os corações duros e obstinados. Nestes corações seca-se a palavra.
Os caminhos são os corações inquietos e perturbados com a passagem e o tropel das coisas do mundo. Nestes corações a palavra será pisada e desprezada.
A terra boa são os corações bons ou os homens de bom coração. Nestes a palavra prende e frutifica com fecundidade e abundancia.
Se o trigo não frutifica a culpa é nossa que não mudamos nossos pensamentos.
Deus está pronto da sua parte, com o sol para alumiar e esquentar, a chuva para regar e amolecer. Mas isso só é possível se os nossos corações permitirem.
Deus dá o sol e a chuva para todos. Cabe a cada um a escolha do que fará com essas bênçãos.
E lembrem-se:
Os ouvintes de entendimentos agudos querem apenas galanteios e elogios. Querem ver os seus problemas solucionados rapidamente.
Os ouvintes com vontades endurecidas não mudam, mas pensam que tudo deve melhorar apesar de sua relutância em aceitar a verdade.
Eu posso falar e falar, mas se não conseguir semear o coração de vocês nenhuma mudança ocorrerá.
As entidades, não devem prometer melhoras para a vida de ninguém se não conseguirem tocar os corações.
As mudanças devem vir dos corações. Assim o coração espinhoso ou duro se amolece e passa a compreender a palavra. Porque ele vê a mudança. E não apenas ouve.
O bom semeador joga sua palavra não para resolver, mas para acertar o coração. Ele ensina a semear e não entrega o fruto pronto. O bom semeador consola e ajuda a erguer a pessoa, mas depois que ela já está de pé, está na hora de ensinar a andar, ensinar a pensar, ensinar a mudar.
Saibam que o bom guia ensina como proceder, mas não promete milagres e nem deixa seu ouvinte amarrado a si. Os médiuns e as entidades são partes de Deus, mas não são Deus. Então, sozinhas não fazem nada.
Lembrem-se todos que somos uma corrente e apenas Deus merece as glorias do que se conquista aqui. Apenas ele. Quando você alcançar alguma bênção, primeiro agradeça aos seus ouvidos que ouviram com o coração. Depois agradeça a Deus. Permita-se conhecer a todos da corrente. Não se fixe em um só, cada um tem um conhecimento que merece ser ouvido. Ouça o que cada um tem a dizer.
Sabemos que é preciso entrar em batalha com os vícios, mas armas alheias, ainda que sejam as das entidades, a ninguém dão vitória. A entidade clareia suas idéias, mas o que é dito não pode ficar apenas nos ouvidos. É preciso que atinja a cabeça e o coração. O que sai da boca pode parar nos ouvidos, o que nasce do juízo penetra e convence o entendimento.
Quando o ouvinte a cada palavra ouvida treme; quando cada palavra é um torcedor para o coração; quando o ouvinte vai embora confuso e atônito, então é a preparação qual convém, para que se faça fruto.
Não queremos que vocês saiam contentes de nós, não que lhes pareçam bem os nossos conceitos, mas que lhes pareçam mal os seus costumes, as suas formas de pensar, os seus passatempos, as suas ambições e, enfim assim haverá mudança, vinda de dentro de vocês.
Vejam um exemplo: olhos, espelho e luz.
Se você tem espelho e é cego, não pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Pode acontecer de ter olhos e luz e não ter espelho.
Logo, para um ser olhar em si e ver-se a si mesmo é preciso luz, espelho e olhos.
O centro com os médiuns e os guias, mentores ou entidades concorrem com o espelho que é a palavra; Deus concorre com a luz que é a graça da mudança; o ser concorre com os olhos que é o conhecimento de si e do mundo.
Médiuns sejam espelhos da palavra de Deus, mas cuidado com a soberba, o ódio, as ambições, a inveja, a cobiça. Lembrem-se, na verdade vocês são apenas condutores. Quem tem que mudar quem tem que querer quem tem que ter fé é a pessoa que veio nos procurar.
Seres que aqui vem em busca de luz sejam olhos do conhecimento de Deus, mas cuidado com a soberba, o ódio, as ambições, a inveja, a cobiça.
E a vaidade? Cuidado com a Vaidade que está sempre viva em um elogio, em um olhar de admiração. A vaidade é ilusória e acaba com qualquer tentativa de iluminação.
Sejamos sábios buscando a Deus acima de todas as coisas.


De: Padre António Vieira pregado na Capela Real, no ano de 1655.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sabedoria Celta.

Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como... lições de vida.
Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica só se sente.
Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que a estrada se abra à sua frente.
Que o vento sopre levemente às suas costas.
Que o sol brilhe morno e suave em sua face.
Que respondas ao chamado do teu Dom e encontre a coragem para seguir-lhe o caminho.
Que a chama da raiva te liberte da falsidade.

Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde.
Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro.
Que a chuva caía de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo.
Que os Deuses lhe guardem na palma de Suas mãos.
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças a Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Os velhos sapatos de um monge.

Eu escolhi ser monge muito cedo, porque Eu não acreditava muito na vida, porque não tive muitas escolhas, porque a vida no mundo externo não Me agradava. Era uma vida conflituosa, era uma vida com dificuldade e na Minha ingenuidade achei que se me tornasse um monge me livraria dos problemas, porque acreditei que uma vida dedicada ao caminho espiritual fosse ser uma vida leve, uma vida sem conflitos, uma vida só com pessoas boas, uma vida de convivência com almas iluminadas como a Minha. Imaginei que seria um caminho muito bom com companheiros, com relacionamentos afetuosos, uma vida longe das disputas afetuosas do mundo material. Uma vida longe da inveja, da raiva, da necessidade de ganhar dinheiro, de conquistas de fama.
Imaginei que no Monastério Eu iria encontrar a paz e quanta paz Eu tive de buscar na Minha mente, quando durante dois anos Me entregavam um balde e um esfregão. Os outros monges todos meditando, estudando ou cumprindo a sua missão e Eu esfregando o chão.
Nos Meus delírios, nas Minhas rezas, nas Minhas orações, pensei assim: -“Puxa Eu não mereço, devo ser uma alma muito, muito má pra esfregar o chão; só esfregar o chão...”.
Para os Meus superiores Eu não falava nada, porque imaginei que eles soubessem tudo que Eu pensava e que um dia também tivessem esfregado o chão e ali fiquei... Dois longos anos esfregando o chão sonhando, imaginando como devia ser linda a meditação daqueles Meus colegas mais velhos que ficavam em suas celas em silêncio meditando, meditando, meditando. Deviam ter experiências cósmicas maravilhosas. Quantas vezes eu imaginei como a vida deles devia ser. Uma vida linda, uma vida de almas iluminadas, uma vida de quem sabia tudo e quanto mais eu achava que eles sabiam tudo, mais Eu descobria que não sabia nada, porque Eu tinha que esfregar o chão.
Quando Eu fui chamado pra receber uma premiação, era o Meu momento de mudança, eles Me colocaram na horta... E aí foram mais cinco anos cuidando da horta. Todos os dias, enquanto os monges passavam por mim e Me cumprimentavam, sorriam, Eu dizia assim: -“Meu Deus, o único que Eu posso olhar pra trás é aquele coitado que agora lava o chão e que agora não Sou mais Eu, porque agora Sou jardineiro”.
Assim fui cuidando da horta e ali tive vários colegas, vários amigos e briguei muito, porque cada um fazia de um jeito. Às vezes Eu plantava de um lado e outro replantava do outro e uma planta brigava com a outra, porque elas não eram compatíveis...
Quantas experiências Eu tive mexendo na terra, mas Eu sonhava, sonhava, sonhava e sonhava com a vida espiritual, porque aquilo não era vida espiritual. Mexer na terra não era vida espiritual. Cuidar de alimentar as pessoas não era vida espiritual, pelo menos pra Mim não era. Aquilo era um trabalho humano, aquilo era um trabalho braçal, aquilo era um trabalho que qualquer pessoa podia desenvolver. Não era um trabalho espiritual e ali Eu fiquei cinco longos anos da Minha vida trabalhando muito, com dores nas costas, às vezes na chuva, às vezes no sol, tendo que conversar com as pessoas, ganhar o Meu espaço, porque Eu tinha a intenção de plantar as ervas, as plantas de um determinado jeito e as pessoas que estavam do Meu lado não aceitavam, então foi difícil, foram anos de luta, disputa de poder; poder pela terra, poder pela salsinha.
Assim foram anos da Minha vida, lutando, Me esforçando num trabalho humano e muitas vezes Eu pensei: -“Meu Deus, Eu que vim pro Monastério. Estou aqui plantando salsinhas, tomates, batatas e pimentões; vendo se faz sol, se faz frio, Me preocupando com o tempo, com o vento, com a falta de chuva ou com o excesso dela... Cadê o Meu trabalho espiritual? Trabalhos espirituais fazem aqueles monges que ficam nas celas trancados, fechados, orando. Eles devem entrar em transes maravilhosos, em situações de ver Deus e com certeza eles vêem Deus e o único Deus que Eu vejo é o coelho que subiu na terra e comeu as Minhas plantações, são as pragas, são as pessoas que estão aqui do Meu lado e não Me deixam fazer o trabalho direito”.
Com o tempo Eu comecei a gostar, porque tinha dias em que o jardim estava tão bonito, a horta estava tão linda, tão verde e justamente quando ela estava mais bonita ela seria colhida no dia seguinte e a terra voltaria a ser revolvida e o trabalho recomeçava e Eu pensava: -“Isso não é vida espiritual”.
Recomeçar todos os dias, ter que fazer tudo de novo, ter paciência, limpar as ervas daninhas, dar continuidade, vencer a Minha preguiça, vencer o Meu cansaço, Me dedicar, Me dedicar, Me dedicar às vezes pra não ver nada ou pra ver aquele verde florescer num único dia e no dia seguinte ser arrancado. Isso não é vida espiritual... Trabalhar tanto pra nada... Não, isso não é vida espiritual. Vida espiritual devem ser aqueles monges que vão à caverna e aí comecei a pensar que um dia Eu iria pra caverna; com certeza um dia Eu iria pra caverna, um dia Eu teria coragem de ir pra caverna, porque para ir pra caverna Eu tinha que pedir, Eu tinha que fazer um voto, Eu tinha que procurar o monge responsável e dizer pra ele que Eu queria ir pra caverna, mas Eu não tinha essa coragem e aí Eu pensava: -“Meu Deus, como sou covarde”.
Quando Eu pensei isso, Me colocaram pra pintar as janelas do templo e lá fui Eu. Era um Monastério muito grande, com muitas janelas e passei vários anos pintando janelas; anos o suficiente pra perder o medo da altura, porque comecei com muito medo de altura, então eles Me colocaram nas janelas inferiores e ali Eu falei: “Nossa como Eu Sou feliz, protegido”. Naquele momento Me senti muito feliz, muito alegre, porque era protegido.
Eu percebi que as janelas de baixo eram as mais sujas. Ficavam borradas de terra, as pessoas colocavam as mãos. Ali Eu tinha além de pintar, lixar, tirar a tinta velha, porque senão a tinta nova não pegava. E Eu pensava: “Isso não é trabalho espiritual. Trabalho espiritual é uma coisa linda, vem pronta. Trabalhos espirituais fazem os monges das celas, os monges que ficam nas cavernas, esses renunciantes maravilhosos e isso que Eu faço não é renuncia, é um trabalho duro, porque dói Meu braço, tenho que Me esforçar e todo dia Eu tenho que acordar e fazer tudo igual, a mesma rotina, o mesmo exercício, o mesmo esforço e ai quando Eu termino, chove e estraga tudo... O Meu trabalho não é espiritual, porque o trabalho espiritual é perfeito”.
Assim Eu passei anos, anos, anos e anos pintando janelas. Quando Eu acabava a última e queria ver a Minha missão cumprida, queria olhar todo aquele movimento, aquele Meu esforço e dos Meus colegas, apesar de que ali fui mais solitário, Eu queria olhar aquilo e dizer: “Nossa que bonito o trabalho que Eu fiz”. E aí quando Eu Me preparava pra olhar tudo isso, a primeira janela já estava suja, as dobradiças já estavam tortas e tinha de recomeçar  e, Eu pensava: “Felizes os monges que fazem o verdadeiro trabalho espiritual nas suas clausuras, que entram nas suas celas, que vão para as cavernas”.
Eu idealizei muito a vida espiritual, idealizei demais a vida espiritual. Idealizei a morte, idealizei a vida, porque Eu não tinha muita coragem de viver.
Hoje Eu sei que vocês, no mundo da matéria enfrentando o que vocês enfrentam, encontrando seus familiares, se desencontrando dos seus familiares, amando as pessoas, desgostando delas e tendo que perdoá-las, hoje Eu vejo que essa é a verdadeira vida espiritual, porque quando Eu fui pra cela e fiquei parado, sentado, Eu entrei num desespero tão grande que Eu não via a hora de sair da meditação, Eu não via a hora de sair daquela condição de silêncio absoluto. Eu precisava das palavras das pessoas, Eu precisava dos movimentos dos olhos, Eu precisava do riso, Eu precisava das Minhas lágrimas e não tinha nada disso, porque Eu estava num momento de silêncio e tinha que respeitar e fazer de conta que estava meditando. Daí Eu pensei: “Meu Deus como Sou ruim, porque deve haver na cela ao lado um monge verdadeiramente espiritual que deve estar fazendo sua meditação e deve estar sofrendo com a reverberação da Minha miséria interior, da Minha confusão interior”.
Hoje Eu percebo que vocês, com seus desafios diários, com seus momentos únicos de meditação, quando naquele momento vocês entregam para Deus e dizem: “Deus eu quero ser um instrumento da sua luz, eu quero fazer o bem para essa pessoa ou Deus eu quero ser o bem na minha vida”, nesse momento vocês meditam nesse momento vocês se transformam e nesse momento vocês estão muito próximos de Deus.
Nunca menosprezem as suas experiências. Não esperem um lugar sagrado; façam o seu lugar interno ser sagrado, torne o seu coração um lugar sagrado, torne a sua mente um lugar sagrado, torne o seu espírito uma presença constante em suas vidas com consciência, amor e luz.
Antes de Eu Me tornar Lanto, o Mestre Lanto, o Mestre da Sabedoria da Chama Amarela, Eu tive muitas vidas como monge. Vidas felizes, vidas tristes, vidas cômicas, vidas em que as coisas deram certo e em que as coisas deram errado.
Eu digo que Me tornei Lanto, porque Eu aprendi a esperar, Eu aprendi a paciência, Eu aprendi a perdoar, Eu aprendi a olhar as Minhas experiências como experiências importantes e sagradas. 
Eu aprendi a reconhecer o Meu Eu de Luz e é isso que hoje Eu venho falar pra vocês:

“- Desapeguem-se das coisas antigas e acreditem em vocês mesmos como seres de muita luz, de muito amor, com muita capacidade de se doar”.

Enxerguem essa luz, manifestem essa luz. Essa é a verdadeira espiritualidade. Essa é a única luz real.
Recebam Minhas bênçãos e amor. Eu Estou entre vocês, porque Eu Sou como vocês.
Eu aprendi que a morte e a vida são uma única coisa: 

Um caminhar eterno e um se transformar todos os dias. Renasçam de suas luzes. Vivam e sejam o seu sol. Paz.

Fonte: Canal - Maria Silvia Orlovas