A água, o fogo, a terra e o ar pensaram em deixar uma recordação que perpetuasse através das idades a felicidade de seu encontro. Resolveram criar alguma coisa especial que, composta de fragmentos de cada um deles harmonicamente combinados, fosse também a expressão de suas diferenças e independência, e servisse de símbolo e exemplo para o homem. Eu porei as melhores forças de minhas entranhas - disse a terra - e alimentarei suas raízes. Eu porei as melhores linfas de meus seios - disse a água - e farei crescer sua haste. Eu porei minhas melhores brisas - disse o ar - e tonificarei a planta. Eu porei todo o meu calor - disse o fogo - para dar às suas corolas as mais formosas cores. Fibra sobre fibra foram construídas as raízes, a haste, as folhas e as flores. O sol abençoou-a e a planta deu entrada na flora regional, saudada como rainha. Quando os quatro elementos se separaram, a Flor de Lótus brilhava no lago em sua beleza imaculada, e servia para o homem como símbolo da pureza e perfeição humana. Tal como a flor do lótus cresce da escuridão do lodo para a superfície da água, abrindo suas flores somente após ter-se erguido além da superfície, ficando imaculada de ambos, terra e água, que a nutriram - do mesmo modo a mente, nascida no corpo humano, expande suas verdadeiras qualidades (pétalas) após ter-se erguido dos fluidos turvos da paixão e da ignorância, e transforma o poder tenebroso da profundidade no puro néctar radiante da consciência Iluminada. Se o impulso para a luz não estivesse adormecido na semente profundamente escondida na escuridão da terra, o lótus não poderia se voltar em direção à luz. Se o impulso para uma maior consciência e conhecimento não estivesse adormecido mesmo no estado da mais profunda ignorância um Iluminado nunca poderia se erguer da escuridão.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012

As sete lágrimas de um Preto Velho.


"Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste Preto Velho chorava. De seus olhos molhados, lágrimas lhe desciam pela face e não sei por que as contei. Foram sete. Na incontida vontade de saber, aproximei-me e o interroguei.
- Fala meu Preto Velho, diz a este teu filho, por que externa assim, esta tão visível dor?
- Está vendo, filho, estas pessoas que entram e saem do terreiro? As lágrimas que você contou, estão distribuídas a cada uma delas.
- A primeira lágrima foi dada aos indiferentes, que aqui vem em busca de distração. Que saem ironizando e criticando, por aquilo que suas mentes ofuscadas não puderam compreender.
- A segunda, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando. Sempre na expectativa de um milagre, que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos lhes negam.
- A terceira, aos maus. A aqueles que procuram a Umbanda em busca de vinganças, desejando prejudicar a um seu semelhante.
- A quarta, aos frios, aos calculistas. Aos que, ao saberem da existência de uma força espiritual, procuram beneficiar-se dela, a qualquer preço, mas não conhecem a palavra gratidão e nem a Caridade.
- A quinta lágrima, vê como chega suave? Ela tem o riso, do elogio e da flor dos lábios. Mas se olhares bem, no seu semblante, verá escrito: 'Creio na Umbanda. Creio nos teus Caboclos, nos teus Velhos, e no teu Zambi, mas somente se vencerem no meu caso ou me curarem disso ou daquilo'.
- A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Terreiro em Terreiro, sem acreditar em nada, buscando aconchegos e conchavos. Mas em seus olhos revelam um interesse diferente.
- A sétima, filho, notas como foi grande? Notou como deslizou pesada? Foi a última lágrima. Aquela que vive nos Olhos de todos os Orixás e de todas as entidades. Fiz doação desta aos Médiuns. Aos que só aparecem no Terreiro em dia de festa. Aos que se esquece de suas obrigações. Aos que esquecem que existem tantos irmãos precisando de caridade, tantas 'crianças' precisando de amparo. Da mesma caridade e do mesmo apoio que eles próprios, um dia aqui vieram buscar.
Assim, filho meu, foi para esses todos que vistes cair, uma a uma, 

AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Oração do Umbandista.

Senhor faça de mim um instrumento da Vossa Comunicação.
Onde tantos mistificam, que eu leve a palavra da verdade!
Onde tantos procuram ser servidos, que eu leve a alegria de servir!
Onde tantos fecham os olhos para a prática do bem, que eu abra meu coração para acolher!
Onde tantos usam a Umbanda como comércio, que eu seja usado pela Umbanda para o Amor!
Onde tantos espalham a ignorância e o preconceito, que eu saiba agir pela Luz do Conhecimento e da Razão!
Onde a vida perdeu o sentido, que através da Umbanda eu leve o Sentido de viver!
Onde tantos me pedem um “despacho”, que eu saiba ensinar a benção do trabalho interno!
Onde haja doença, que eu leve a vibração de saúde do Sr. Oxossi.
Onde haja desespero que eu leve a concórdia e a placidez das Águas.
Onde houver desânimo, que eu leve a determinação e tenacidade do Sr. Ogum.
Onde houver injustiça, que eu leve o discernimento e a justiça do Sr. Xangô.
Onde tantos me pedem um milagre, que eu seja a humildade do Preto Velho!
Onde tantos estão sempre distantes, que eu possa fazer a Umbanda sempre presente!
Onde tantos sofrem da solidão que faz morrer, que eu seja a pureza de Ibejada, espalhando a alegria!
Onde tantos morrem na matéria que passa, que o Sr. Omulu me abençoe com a vibração da terra, geradora permanente de vida.
Onde tantos olham para a terra, que eu seja um espelho de Aruanda, a refletir sua Luz na terra!

Saravá Umbanda.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Oração a Preto Velho

Dou início a essa sessão: Orações, com uma oração aos Pretos velhos. Meu primeiro contato com um pretinho foi de carinho, confiança e dedicação. Ele sem dúvida me ensinou a amar a Umbanda.
Meu segundo contato com um pretinho foi de aprendizado: aprendizado da paciência: “tenha paciência, tudo tem o seu tempo”.
E eu aprendi que nada nessa vida pode acontecer se não soubermos ter paciência: com nós mesmos, com os outros e com o Universo. 
 Por isso nossa primeira oração vai para os nossos queridos Pais Velhos:

Preto velho que está em nosso coração.
Abençoado seja seu nome no céu.
Tu que já galgastes as escaladas luminosas da espiritualidade
Anima-nos a prosseguir impávidos e serenos através dos obstáculos da vida e combate em nós o desanimo traiçoeiro que como o banzo fatídico, nos aniquila o ser.
Ajuda-nos a vencer na vida material, assim como quando em vida tu ajudaste com teu labor escravo o seu senhor.
Ensina-nos a ter com tua experiência milenar, a calma, a resignação, a compreensão que muito necessitamos e que estejamos sempre contigo.
A vós, bondosos pretos velhos, oferecemos essa prece, reafirmando nossa fé, nossa crença e a nossa esperança na tua força espiritual, sempre a serviço do bem.
Protege-nos e dá-nos a coragem que às vezes nos falta para poder prosseguir na nossa jornada, e que algum dia tenhamos merecimento para receber as graças de Deus.
Protege aqueles que ainda vivem de forma escrava e nos auxiliem a provocar a libertação desses filhos de Deus.
Assim seja.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Imagine um abraço fraterno em 360 graus


Imagine uma vela acesa com Fé gerando mais energia que uma usina nuclear.
Imagine Divindades, Anjos, Santos, Sábios, Magos, Gênios, Sacerdotes, Xamãs, Babalaôs, Pajés, Iogues, Iniciados, Cientistas, Curadores,
Trabalhadores da Caridade de todas as épocas e culturas voltando à Terra para restaurar a Paz e a Lei Maior.
Imagine a última peça que falta no milenar “quebra-cabeça” que compõe a sua Alma.
Imagine traumas, neuroses, fobias, vírus e bactérias físicas e astrais sendo dissolvidos na baforada de um cachimbo.
Imagine a Pemba traçando e reproduzindo os Códigos Sagrados da Criação.
Imagine o padê de Exu promovendo a harmonia entre Luz e Trevas.

Imagine o médium descalço vestido de branco iluminando-se por dentro.
Imagine o consulente confortado e esclarecido subindo mais um degrau evolutivo.
Imagine o Homem servindo a Natureza e a Natureza servindo o Homem.
Imagine o sal das lágrimas misturando-se ao sal do Mar, Ventre de Yemanjá.
Imagine a flecha certeira de Oxossi alinhando Razão, Emoção e Ação.
Imagine a espada de Ogum abrindo caminho no cipoal das ilusões humanas.
Imagine o machado de Xangô aparando as arestas do carma Planetário.
Imagine Oxalá retirando os espinhos de teu coração e Oxum cobrindo com mel teus ferimentos.
Agora, deixe de imaginar...
Pois tudo isso não é sonho, é realidade vivida e sentida
A toda hora, todo dia, ao som de um belo ponto cantado
No abraço do Caboclo,
No toque do Preto Velho,
Na brincadeira da Criança,
No olhar do Exu Guardião,
No sorriso do Baiano,
No balanço do Marinheiro,
No encanto da Cigana,
Na ginga do Malandro,
No laço do Boiadeiro...

...meu Filho: ISSO É UMBANDA!

Mensagem do Caboclo Yguaratan recebida espiritualmente pelo médium Vanderlei Alves (Tenda de Umbanda do Caboclo Estrela do Mar) em 01/12/2010.